17 febrero 2007

Alguns apontamentos sobre o Consensus of Washington

Por Rivadávia Rosa*

O Consenso de Washington – concebido pelo economista britânico –John Williamson, do Instituto de Economia Internacional –Institute of International Economics– IIE, de Washington, adotado pelos países ricos (Governo norte-americano, e organismos multilaterais como FMI, Banco Mundial), preconiza medidas necessárias e vitais para o desenvolvimento dos países pobres, diante da então crise da dívida externa, através das seguintes prescrições de ordem macroenômica (10 pontos) em 1989:

1) Deficits fiscais financiáveis sem a “ajuda” da inflação: mediante reforma tributária necessária para simplificar a vida do cidadão contribuinte pela redução dos impostos e da própria estrutura arrecadatória;
2) redirecionamento de gastos públicos de áreas onde eles não se justificam economicamente para setores de alto retorno e com potencial para distribuir renda: essa reorientação dos gastos públicos necessariamente seriam em favor da área social (mais na saúde e educação e menos em gastos militares) se fossem efetivamente aplicados;
3) reforma fiscal: disciplina fiscal;
4) liberalização financiera: mudança necessária ainda hoje no mercado financeiro; o que reduziria o artificialismo do sistema com taxas de juros subsidiadas, que geravam investimentos inadequados e pouco rentáveis;
5) taxa de câmbio em nível competitivo para induzir um rápido crescimento das exportações: a unificação cambial é uma forma de acabar com o ágio no mercado negro de divisas, que em alguns países chegavam a 100% e a competitividade cambial visa evitar processos de apreciação da moeda danosos ao balanço de pagamentos;
6) substituição de cotas comerciais por uma política de tarifas reduzidas (entre 10% e 20%) liberalização comercial;
7) fim das barreiras contra investimentos estrangeiro diretos: abertura, atração ao investimento estrangeiro é uma forma de cobrir deficits em conta corrente, mediante um financiamento comprometido com o futuro de longo prazo e pouco suscetível a mudar de acordo com a conjuntura do mercado;
8) privatizações de empresas estatais;
9) fim das restrições à competitividade e à constituição de novas empresas: desregulamentação ou seja diminuir a quantidade de exigências burocráticas que emperram os negócios e travam o crescimento econômico.
10) estabelecimento de direitos de propriedade: imperativo de segurança jurídica necessário para o desenvolvimento da economia capitalista.

Tais prescrições de ordem macroeconômicas configuram simples listas de bom e com senso mas teve várias denominações como ‘Programa das organizações internacionais de Washington, em especial do FIM e do Banco Mundial, para os países que recorriam a elas em busca de socorro; proposta ‘neoliberal’ ou de ‘fundamentalismo de mercado.'

Os bordões de cunho ideológico extremado evidencia que a proposta é discutida sem sequer uma leitura, mesmo que superficial sobre os pontos sugeridos. A sua análise apressada induz o leitor a uma caricatura da realidade, em contradição aos fatos, ao invés de uma reflexão séria e honesta sobre os fatos.

O Brasil, também foi ‘acusado’ de ter adotado a receita do ‘consenso’. Talvez se tivesse recebido o sugestivo nome de ‘Consensus Bolivariano’ tivesse merecido uma leitura mais atenta.

O certo e que observando a ‘receita’ verifica-se que em sua maioria não foram implementadas, assim como as reformas estruturais realizadas não foram suficientes; como a economia mundial enfrentou muitos choques adversos no período, houve inevitáveis ‘vítimas’ na América Latina, cuja autoria imputa-se singelamente ao Consenso de Washington o bode expiatório da década, numa atitude perversa de fazê-lo uma caricatura do que chamam ‘neoliberalismo’, globalização, capitalismo, imperialismo.

O colapso da Argentina, por exemplo –supostamente fiel seguidora do ‘consensus’ nos anos 90– decorreu do fato de o país ter deixado de ter uma moeda competitiva, assim como o relaxamento do ‘aperto’ fiscal. Entretanto, em oito anos 1991/1999 teve um superavit primário de apenas 0,5% do PIB e de 3,0% em 2004, isso implica que em matéria de ajuste fiscal o atual governo foi muito mais ortodoxo do que o anterior.
O México teve uma abertura maior e um desempenho superior ao da Argentina.
O Chile com a saída do Estado da atividade produtiva de forma mais radical teve um desempenho melhor do que o Brasil.
Numa análise perfunctória da performance dos países pró e contra o Consenso temos, respectivamente os liderados pela Venezuela, e no segundo grupo os mais conhecidos Chile, Peru e México.
No período 1999/2003 o crescimento médio da Venezuela foi negativo, enquanto no período de 1991/2003 a média do Chile, Peru e México –onde as políticas do ‘Consenso’ haviam sido adotadas há mais tempo– tiveram um crescimento médio da ordem de 5%, 4% e 3% , respectivamente.

Contudo, as limitações continuam como o maior acesso à educação, ao financiamento popular, a abertura de negócios (excesso de burocracia), a sobretaxação dos contribuintes, limitação da economia de mercado por financiamento insuficiente, dificuldades de acesso à propriedade, juros elevados (para ‘controlar’ economia), hostilidade ao capital/investidor estrangeiro.

Mesmo assim, essa fase já está superada e quem não avançou –ficará na contramão da história– com a nova agenda de reformas concebidas a partir de 2003, que pretende ser um “escudo contra crises” para proteger as economias região contra saques/ataques especulativos de capital estrangeiro. Com a conclusão da “primeira geração” de reformas, a ‘segunda geração’ enfatiza reformas institucionais e políticas de redução das desigualdades:
1) Prevenção contra crises: políticas fiscais anticíclicas (gastar mais em momentos de crise e economizar na bonança); contenção de gastos em governos regionais; formação de fundos de estabilização; taxas de câmbio flexíveis; metas para a inflação; finalização da reforma fiscal com o objetivo de diminuir a dependência da poupança externa;
2) completar a primeira geração de reformas: liberalização do mercado de trabalho e adoção de programas de atualização e treinamento; reformas na área comercial e busca de acesso aos mercados de países desenvolvidos; privatizar estatais que sobraram;
3) realizar reformas institucionais: inclui principalmente o sistema político, o judiciário e o setor financeiro;
4) distribuição de renda e agenda social: sistema tributário mais progressivo com impostos sobre propriedades e focalização dos gastos em programas básicos de educação e saúde. Aos mais pobre devem ser dados títulos de terra e de moradias para poderem ter acesso a créditos. Objetivo é inseri-los em uma economia de mercado.

O que se verifica –em nosso rincão– apesar de seu imenso potencial em termos de riquezas e recursos naturais renováveis paradoxalmente continua com os flagelos da pobreza, exclusão/desigualdade social iníquas, decorrentes da corrupção, da ineficiência e ineficácia de seus governos.

Na realidade o que está se vendo é o regresso à ilusão estatista, a fé no Estado como protagonista econômico, que parecia ter desaparecido com o totalitarismo soviético.
Desde Adam Smith (A Riqueza das Nações – 1776) só progridem as economias livres. Os países com maior liberdade são ricos e estão progredindo, enquanto os de ‘menor’ liberdade estão na pobreza. NÃO HÁ EXCEÇÃO.

A concepção liberal (que por si só elimina a idéia totalitária), assim como todas as idéias políticas que não se identificam com o esquerdismo, tem sido desvirtuadas e satanizadas pelo esquerdismo brasileiro e latino americano, não só pela hegemonia intelectual de esquerda, mas também nos meios intelectuais (orgânicos), academia e na mídia.

Efetivamente, os indivíduos mediante certas condições é que são os produtores e maximizadores da renda, riqueza ou bem-estar pessoal e social.
Porém, num ambiente hostil aos empresários/investidores/empreendedores caracterizado por: 1) falta de segurança jurídica, desrespeito e ameaça à propriedade privada; 2) baixos níveis de crédito e juros elevados para que a propensão ao risco possa ser estimulada; 3) desordem social e insegurança decorrentes da violência e da criminalidade, além da ameaça permanente de rompimento de contratos, morosidade e relativismo jurídico da própria Justiça; 4) "sistema" tributário que se revela uma verdadeira derrama para não dizer extorsão, além de fator restritivo da produção, da livre concorrência/competitividade interna e global; 5) baixo índice de investimentos em educação, ciência e tecnologia, além do 'apagão' logístico e porque não mental, pela falta de investimento em infra-estrutura; 6) epidemia da corrupção facilitada pelo estatismo e estimulada pela impunidade; 7) fragilidade das instituições políticas e jurídicas, o que possibilita e abre a porta para o assalto aos cofres públicos (no Brasil, também pela certeza da impunidade) está se desprezando, na realidade, os que efetivamente fazem a economia real, assim como a própria natureza humana, e com isso eliminando justamente as condições necessárias para o desenvolvimento político, econômico e social. Essa, infelizmente é a marcha (da insensatez) ‘ladino’ americana.

Historicamente –é de se reiterar à exaustáo–, todos os países desenvolvimos o foram pela via do capitalismo, ou seja, com o concurso decisivo do capital privado, economia de mercado, liberdades, pluralismo, respeito à propriedade privada, aos contratos e os necesarios limites ao governo.

Porto Alegre, RS 16/02/2007

* Advogado

El Esequibo y la verdad documental

Una aclaratoria al Señor Presidente de la República Bolivariana de Venezuela

Por Rafael Sureda Delgado*

El Señor Presidente de la República ha comentado en varias oportunidades aspectos sobre la controversia territorial-marítima que mantiene Venezuela con Guyana y Gran Bretaña* sobre el Territorio Esequibo. Básicamente al proceso iniciado en 1962, supuestamente presionado por los Estados Unidos y, por iguales razones, supuestamente, nuestro país había intentado apoderarse de “Guyana”. Expresiones que involucran a los gobiernos de Rómulo Betancourt y Raúl Leoni.

Independientemente que el Señor Presidente tiene el derecho, como cualquier otro ciudadano, de interpretar los hechos históricos ya sea desde el punto de vista personal, político o ideológico, es obvio que como Primer Magistrado de la República responsable de las relaciones exteriores (Art. 236.4 de la Constitución Nacional) y ductor de la opinión internacional de Venezuela, debería, en todo momento, ajustarse a la verdad documental, sin que por ello le impidamos tener y expresar públicamente sus opiniones sobre el acontecer histórico de nuestra Nación.

Basándonos en la verdad documental trataremos en forma sucinta de aclarar algunos aspectos puntuales de esta reclamación que pueden dar luz sobre las aseveraciones presidenciales y, quizá, hasta cambiar su modo de percibir la historia.

Gobierno de Rómulo Betancourt

En 1962, ciertamente, el Gobierno venezolano inicia a través de las NNUU una ofensiva, dando a conocer al mundo nuestros inalienables derechos que poseíamos y poseemos sobre el Territorio Esequibo. Decisión que no era la primera que Venezuela tomaba en relación al tema y al de la defensa de nuestras fronteras. En 1887, en pleno proceso de discusión sobre la delimitación con Gran Bretaña sobre su colonia Guayana Británica (creada ésta en 1831), Venezuela rompió relaciones diplomáticas con la mayor potencia del mundo de la época: Inglaterra, justificando la ruptura “por haber vulnerado (los ingleses) los derechos de la soberanía e independencia de Venezuela, privándola de la más santa e inviolable de las propiedades de una nación, a saber, la de su territorio”. En 1897 Venezuela firma el Tratado de Arbitramento para dilucidar con Inglaterra la controversia territorial. Por supuesto que hubo presiones de EEUU para que firmáramos el acuerdo, pues no quería tener conflictos en su área de influencia, pero también nosotros deseamos y pedimos fervientemente en 1843 y 1844 la firma del Tratado, para poner coto a las arbitrariedades inglesas con los célebres mapas usurpadores del geógrafo inglés Robert Schomburgk. En 1899, en el mes de octubre, se conoce la sentencia arbitral que nos arrebatara los 159.500 km2 que cubre la Guayana Esequiba. Ciertamente, poco pudimos hacer. Cinco jueces decidieron en contra de los intereses venezolanos (un ruso que había escrito que su país e Inglaterra habían recibido la bendición divina para “civilizar” estas tierras salvajes (las americanas y en ellas nos encontrábamos); dos magistrados ingleses (jueces y parte) y dos norteamericanos sobre quienes todos coincidimos que poco hicieron. Pero como abogado del diablo, ¿qué hubiera sucedido de haberse puesto los EEUU al lado de Inglaterra y Rusia? Pues que no tendríamos en este momento ni siquiera la salida natural al Atlántico al haber perdido el Delta del Orinoco. Hubiéramos perdido la Boca Grande del Orinoco que, para quienes hemos tenido la dicha de llegar hasta ella (en varias oportunidades) y entrar en los ríos Barima y Amacuro y visitar el núcleo cívico-militar de Wausa de la Guardia Nacional, representa un punto invalorable de nuestra frontera marítima. Por favor, leamos con detenimiento el texto del Memorandum del abogado Severo Mallet-Prevost hecho público en 1949 para que se vea si tenemos o no razón.

En 1913 la Cancillería inicia toda una campaña diplomática solicitando a sus funcionarios del servicio exterior en Washington, Londres, Brasil, París, Río de Janeiro, Manaos, Demerara (lo que hoy es Georgetown, capital de Guyana), Cúcuta, Barranquilla, Bogotá y al Comisionado Especial en España enviar documentos, manuscritos, impresos, artículos de prensa y mapas para el Departamento de Biblioteca y Mapoteca. En 1936 el Presidente General en Jefe Eleazar López Contreras crea la Oficina Especial de Fronteras dependiente del MRE.

En 1962 ciertamente aparece Rómulo Betancourt enviando, como Primer Magistrado de la República, la documentación a la ONU demostrativa de los derechos venezolanos sobre el Esequibo, pero esa decisión fue resultado de un proceso que no nace en ese año ni con ese gobierno, pues en 1944 ya habíamos alertado que estábamos dispuestos a defender nuestros derechos. Así lo ratificó en esa fecha el Embajador venezolano en los EEUU Diógenes Escalante; el Diputado José A. Marturet en la Cámara de Diputados del Congreso Nacional; repitiendo la misma posición el propio Presidente del Congreso Manuel Egaña y en declaraciones de prensa de los miembros de la Comisión Permanente de Relaciones Exteriores.

Los mismos conceptos en defensa de la integridad territorial se expresaron en la IX Conferencia Interamericana realizada en Bogotá en 1948; en la IV Reunión de Consulta de los Cancilleres Americanos celebrada en la capital estadounidense en 1951; en la X Conferencia realizada en Caracas en 1954, en donde por cierto el Consultor Jurídico de la Casa Amarilla Ramón Carmona expresó: “Ninguna decisión que en materia de colonias se adopte en la presente Conferencia podrá menoscabar los derechos que a Venezuela corresponden por este respecto ni ser interpretada, en ningún caso, como una renuncia de los mismos”. Igual se hizo en 1959 en el seno de la ONU al discutirse el tema de los territorios en fideicomiso y los no autónomos, y en 1960 en el Congreso Nacional ante una comisión parlamentaria inglesa. Idéntico planteamiento en la declaración sobre la concesión de independencia a los países y pueblos coloniales, que aprobó la Asamblea General de NNUU en ese año.

Y llega el 2 de febrero de 1962, cuando el Gobierno de Betancourt continúa en forma coherente un proceso histórico en defensa de la integridad territorial con la decisión de plantear en la ONU nuestra reclamación.

Gobierno de Raúl Leoni

Continúa la causa en defensa de los intereses territoriales de Venezuela. Para ampliar y animar a expertos en el estudio del tema del Esequibo se crea la Comisión Consultiva de Guayana integrada por los ministerios de Relaciones Exteriores, Interiores, Comunicación, Justicia, Fomento, Educación, Obras Públicas, Sanidad y Asistencia Social, Defensa, Minas e Hidrocarburos, Oficina Central de Coordinación y Planificación de la Presidencia y la Corporación Venezolana de Guayana. En 1965 es elevada al rango de dirección la Oficina para la Cuestión de Límites con la Guayana Británica (como se llamaba antes la colonia inglesa). Ese mismo año el Gobierno Nacional da a conocer el nuevo mapa del país apareciendo lo que hemos dado en llamar la “corbata rayada” del Esequibo o Zona en Reclamación, como medio de llevar el sentimiento nacional hacia el despojo territorial y unificar a la población en una sola voluntad dirigida a lograr la recuperación de una parte de nuestro territorio usurpado. Por su parte la Dirección de la Renta Interna de Hacienda lanza a circulación una emisión de estampillas de correo reproduciendo el mapa contentivo del Territorio Esequibo con los lemas: “Venezuela. Reclamación de su Guayana” y “Nuestra Guayana hasta el Esequibo” y en los sobres del primer día de emisión apareció impreso: “Este bello y rico país se extiende por la mar del norte desde el río Esequibo a los confines de la Provincia de Guayana”. Para darle aun mayor auge a la controversia se reproducen numerosos mapas antiguos demostrativos que el Esequibo formaba parte indisoluble de Venezuela. Igualmente en este año la OCI (Oficina Central de Información) edita el Boletín Nº 1 de “Carta de Venezuela” reproduciendo el invalorable trabajo del Embajador Armando Rojas titulado “Venezuela limita al Este con el Esequibo” en más de 200 mil ejemplares. Me tocó repartir unos cuantos miles cuando trabajé en la dirección de información exterior de la OCI siendo director el Embajador Guido Grooscors.

Pero no todo provino del sector oficial, prominentes venezolanos de posiciones político-ideológicas diferentes crean en 1965 la Comisión Nacional pro Guayana Esequiba y allí participan Miguel Zúñiga Cisneros, el Senador René Esteves, Espíritu Santos Mendoza, el Embajador Héctor Santaella, Efraín Schacht Aristeguieta, Arturo Valery Pinaud, Pedro Aguaje Montell, Eduardo Blanco Uribe, el Concejal Rafael Ravard, el Senador Armando Soto Rivera, el Diputado Alberto Bustamante, Héctor Tosta Ojeda, Luis Fernández Adrianza y el Diputado Silvio Montaño. Y van a hacerse presentes también en esa Gran y Patriótica Comisión el Cardenal José Humberto Quintero; presidentes de Academias y colegios profesionales; el Ilustre Rector Jesús María Bianco en representación de las Universidades; delegados de los trabajadores y campesinos; cámaras de comercio, voceros de todos los periódicos, de escritores, periodistas y publicistas, la Iglesia Católica, partidos políticos como el FND, AD, COPEI, URD, FDP, MAN, MENI, ON, Socialista Venezolano y Vanguardia Popular Nacionalista.

En 1966 en el mes de febrero se firma el tratado conocido como “Acuerdo de Ginebra” que dirige desde esa fecha hasta el presente (2007) todo lo concerniente a la reivindicación territorial. Tratado criticado y aplaudido. El ex Canciller de Betancourt Marcos Falcón Briceño lo censuró duramente (“El Acuerdo de Ginebra”. El Nacional, 5-4-1966) y el jefe de la fracción parlamentaria de AD Jaime Lusinchi lo defendió (“El Acuerdo de Ginebra ¿controversia sin solución pacífica”. La República, 12-4-1966). El Viceministro del Exterior y posterior Canciller Efraín Schacht Aristeguieta, fallecido recientemente, tomó una insólita decisión, por lo inusual en funcionarios públicos, enmarcada en una gran valentía, renuncia al cargo de Director General de la Casa Amarilla por no estar de acuerdo con lo firmado por el Canciller de la época Ignacio Iribarren Borges.

No obstante, a pesar de las críticas, bien argumentadas en la mayoría de los casos, hay que reconocer que con el Acuerdo de Ginebra Venezuela pase a tener el primer y único documento oficial-internacional donde consta tres aspectos fundamentales a los intereses de la nación venezolana: 1) Venezuela considera sin validez jurídica el Laudo usurpador de 1899, 2) Deja constancia de la existencia de una controversia que hemos estado tratando de resolver desde esa fecha y 3) Se compromete Guyana a negociar una solución.

La firma del Acuerdo de Ginebra llevó un aval presencial invalorable. El país entero representado por altos funcionarios públicos y fuerzas políticas. Ignacio Iribarren Borges (Canciller), Héctor Santaella (Embajador en Londres), Blás Pérez Ferrás (director de la Dirección Especial de Guayana), Germán Nava Carrillo (Ministro Consejero en Londres), Adolfo Taylhardt (jefe del Departamento de Organismos y Conferencias Internacionales de la Casa Amarilla), Demetrio Boersner (subdirector de la OCI), Leonardo Díaz González (Ministro Consejero en la República Federal Alemana), los expertos Padre Hermann González Oropeza y Pablo Ojer; por los partidos Jaime Lusinchi (AD), Andrés Roncajolo (FND), Simón Antonio Paván (URD), Iván Terán (FDP), Manuel Alfredo Rodríguez (PRN), Gonzalo García Bustillos (COPEI) y Armando Soto Rivera (por los independientes del Congreso Nacional).

Venezuela intentó apoderarse de “Guyana”

El último aspecto que quería hacer referencia, insistiendo en el respeto a las opiniones de los demás y, por supuesto, las del Señor Presidente de la República, se refiere a que supuestamente quisimos apoderarnos de “Guyana”. ¿A qué viene esta aseveración?

En Abril de 1967 se lleva a cabo en la Reserva Amerindia de Kabakaburi, Distrito Pomerón, en pleno corazón de la Guayana Esequiba un congreso de esequibanos (naturales del Esequibo) en representación de las etnias Arekunas, Caribes, Macusis, Waiwais, Wapishianas, Waraos, Akawaraos y Arawakos para plantear la discriminación racial a que eran sometidos por el gobierno presidido por Forbes Burnham, la negativa de este en otorgarles la propiedad sobre las tierras por ellos trabajadas y solicitaban que el territorio en reclamación fuera explotado conjuntamente con Venezuela. La represión oficial fue inmediata y muchos compatriotas esequibanos huyeron hacia la región del Cuyuni y Wenamo en la línea impuesta por el Laudo usurpador de 1899. La prensa oficial guyanesa (Guyana se había independizado meses antes) y funcionarios gubernamentales iniciaron una campaña (septiembre 68) contra Venezuela argumentando, entre otros aspectos, que nuestro país estaba dispuesto a recuperar el territorio con las FFAA venezolanas y establecer como frontera la margen oeste del río Esequibo. Denuncia que se apoyaba en el Decreto 1.152 (conocido dos meses antes) del 9 de julio de 1968 del Presidente Leoni, por medio del cual se trazaba una “línea de base recta en el sector de las costas de Venezuela comprendido entre la línea divisoria del Río Esequibo y Punta Araguapiche en el Territorio Federal Delta Amacuro” (hoy Estado Delta Amacuro). El Decreto también hacía “expresa reserva de los derechos de soberanía de Venezuela sobre la zona de mar territorial cuya restitución se reclama de Guyana”.

La expresión visual del decreto se encuentra en el gráfico siguiente. Reclamamos 3 millas porque en aquel entonces Guyana mantenía esa anchura en su Mar Territorial y con el Decreto 1.152 recuperábamos las 12 millas náuticas de Mar Territorial que en total le correspondían a nuestro país.

¿Fue cierto que estuvimos dispuestos a recuperar el Esequibo, no a apoderarnos de “Guyana” como fue la afirmación del Señor Presidente de la República, utilizando la fuerza armada? Dejemos de lado las interpretaciones y análisis de lo que aconteció en aquella época, a las que todos tenemos derecho y veamos la verdad documental. El Dr. Gonzalo García Bustillos, integrante de la Comisión Mixta (1966, 70) que trató de resolver la controversia, expresó: “…podría ser excusable en un Estado nuevo el que gobernantes que no tienen el trajín indispensable empleen expresiones y tonos amenazantes. Por ejemplo, acusar a Venezuela de ser estado agresor, nada más injusto y no hay cosa más traída por los cabellos que esa acusación, sobre todo contra Venezuela que en materia territorial ha sido siempre expoliada y nunca le ha tomado un centímetro de tierra a nadie…”. (La República, 5-10-68)

Por su parte el Gobierno Nacional a través de su Canciller rechazó en la Asamblea General de la ONU (hasta donde llegaron las denuncias guyanesas) todas y cada una de las acusaciones.

Y si faltaba un dato más hay que hacer mención de lo declarado por la dirigente de la revuelta la Esequibana Valerie Hart presidenta de la Asociación de productores del Rupununi: “El fracaso se debió a que no teníamos armamento moderno procedente del exterior y menos de Venezuela. Sólo escopetas y cuchillos de caza, que resultan inútiles a la hora de afrontar a un ejército dotado de armas modernas” (Ultimas Noticias,1-1-69) Y esta falta de ayuda la corrobora el propio ministro venezolano del Exterior: “Venezuela no puede prestar ayuda en armas a los sublevados contra el Gobierno de Guyana, porque está actualmente discutiendo por la vía diplomática la restitución del territorio de la Guayana Esequiba (…) el Gobierno Venezolano niega rotundamente por mi boca, que Venezuela haya participado en los sucesos que desgraciadamente tienen lugar en Rupununi…” (El Nacional, 8-1-69) Y la Memoria y Cuenta (Libro Amarillo) de Cancillería de 1969 expresa: “Todos estos sucesos tuvieron lugar en un momento político en el que el Gobierno actual (Leoni) se preparaba para hacer entrega del poder a los nuevos mandatarios elegidos en los comicios del 1º de diciembre de 1968. Es decir, en una situación política particularmente difícil para el Gobierno saliente así como para el entrante (Caldera) que les impedía decisiones graves”. (Exposición, p. XXXIX)

Y de la dirigencia política destaco lo dicho por Jesús Angel Paz Galárraga, secretario general del MEP: “Si Venezuela no tomó una actitud distinta cuando ese territorio estaba en manos de Gran Bretaña, ahora sería inexplicable que repentinamente adopte gestos belicosos”. (La Tarde, 10-1-69)
Venezuela pues no intentó apoderarse de “Guyana” ni siquiera de lo que afirmábamos era nuestro, el Esequibo.

El levantamiento de Rupununi se produjo en territorio del Brasil

Aunque el Gobierno venezolano hubiera querido ayudar, que no lo hizo, la verdad documental así lo demuestra, independientemente de los análisis e interpretaciones que se hagan al respecto, no lo hubiera podido hacer pues el levantamiento de los amerindios ocurrió en su mayor parte en territorio del Brasil. Vamos a explicarlo.

El 3 de octubre de 1899 el Laudo Arbitral de París nos arrebató la Guayana Esequiba. Brasil el 7 de diciembre de ese mismo año protestó la sentencia advirtiendo que sus límites con Venezuela estaban fijados en el Tratado de Límites del 5 de mayo de 1859 (Libro Amarillo de la Cancillería Venezolana de 1902. Documentos, p. 13) Es decir que los árbitros en su afán de otorgar más territorio a Inglaterra (colonia Guayana británica) internaron el límite en territorio brasileño. El 9 de abril de 1900, el Canciller Venezolano de la época le dijo al Brasil que no existían problemas limítrofes y que todo se había resuelto, como decía Brasil, en 1859. Y Brasil se quedó tranquilo. Pero en 1965, cuando Raúl Leoni ordena incorporar al mapa venezolano la Zona en Reclamación, reprodujo totalmente la sentencia arbitral de 1899 incluyendo, por tanto, la zona brasileña. Y precisamente en esa zona fue donde mayormente se produjo el alzamiento. En las localidades de Karasabai, Good Hope, Pirara, Manari y Letem, todas ellas se encuentran dentro de la franja rayada que es precisamente el área brasileña en la que se internó la delimitación impuesta por el Tribunal Arbitral del 3 de octubre de 1899. Solamente Anai y Caranambo se encuentran realmente en Territorio Esequibo. Por ello fue que en enero de 1983 Isidro Morales Paúl, quien poco después sería Ministro de Relaciones Exteriores, en una conferencia dictada en el Seminario “La Agenda de la Política Exterior de Venezuela” recopilación que lleva el mismo nombre (página 308) en el Instituto de Estudios Políticos de la Facultad de Ciencias Jurídicas y Políticas de la UCV, expresó: “…si nosotros analizamos la utilización de la fuerza en el caso específico (…) hay que tomar en cuenta que existe un señor sumamente poderoso e importante que se llama Brasil, y el que no recuerde que ahí está, pregúntele que ocurrió en el caso Rupununi, que nos pusieron 500 aviones allí en la frontera”.

Huelgan los comentarios. En la zona rayada (Brasil) donde se internó la sentencia arbitral se produjo la mayor parte de la revuelta del Rupununi. Si hubiéramos deseado no “apoderarnos” sino recuperar lo que siempre hemos dicho que es nuestro, Brasil se hubiera opuesto.

Deberían hacerse públicos los documentos que evidencian que supuestamente estábamos dispuestos a usar la fuerza para resolver la controversia. Que no se interprete esta propuesta como una provocación. Para quienes hemos estudiado la reclamación sería invalorable esa documentación para entender mejor otros hitos históricos que han girado alrededor de la controversia. ¿Por qué mantener documentos secretos sobre un tema que le compete a todos los ciudadanos, gobierno o no gobierno? ¿Hubo presiones de los EEUU? ¿Por qué no divulgar dichos documentos? ¿Por qué fracasamos o no actuamos militarmente? ¿Por lo que aquí hemos expresado o hay algo oculto? Dar libertad documental es fundamental para que cada quien analice, opine, interprete de acuerdo a su libre albedrío personal, político o ideológico. Todos aprenderíamos algo más y, por supuesto, el Señor Presidente de la República quien ha tenido el privilegio de leer esos documentos que los historiadores desearíamos también estudiar.

Por último.
El Señor Presidente debería meditar antes de hablar sobre este tema

Conocimos algo de la verdad documental sobre los aspectos mencionados por el Señor Presidente de la República. Es cierto que él no dijo que Venezuela iba a hacer dejación de nuestros derechos sobre la Guayana Esequiba. Interpretó. Se podrá estar de acuerdo o no. Pero en todo caso es importante sugerirle que medite al utilizar ciertas palabras. Mencionó que estuvimos a punto de apoderarnos de “Guyana”, ya sabemos que el tema se refería al Esequibo. En todo caso ¿el Primer Mandatario considera que no existe la Zona en Reclamación sujeta al Acuerdo de Ginebra, tratado no denunciado por Venezuela y que dirige todo lo concerniente a la controversia-reclamo de Venezuela? Respondo que fue un desliz en su emotividad política. Pero hay que tener más cuidado pues él tiene la atribución y la obligación de dirigir las relaciones exteriores de la República y sus palabras repercuten en el exterior y pueden darle razones al contrincante en una controversia.

En febrero de 2004 el Mandatario Venezolano y su Homólogo de Guyana Bharrat Jagdeo, firmaron un comunicado conjunto al finalizar la visita del Presidente venezolano a Georgetown. En el párrafo 4º dejan constancia que “en particular resaltaron que bajo el auspicio del Proceso de Buenos oficios de las Naciones Unidas, para la búsqueda de una solución pacífica y práctica a la controversia, de conformidad con el Acuerdo de Ginebra de 1966, el espíritu de la cordialidad ha impregnado el enfoque del diálogo entre las dos partes”.

Seguro estoy que en la próxima visita ambos Presidentes reiterarán lo mismo.

*Mencionamos a Gran Bretaña porque si bien no discutimos directamente con este país la solución del reclamo venezolano, en el supuesto caso que el tema fuera llevado a la Corte Internacional de Justicia los ingleses serían parte del litigio.

Los Corales, Caraballeda, Febrero de 2007

Fuente bibliográfica
SUREDA DELGADO, Rafael. Venezuela y Gran Bretaña. Historia de una Usurpación. UCV, 1980.
SUREDA DELGADO, Rafael. Betancourt y Leoni en la Guayana Esequiba. UCV, 1984.
SUREDA DELGADO, Rafael. La Guayana Esequiba. Dos etapas en la aplicación del Acuerdo de Ginebra. Academia Nacional de la Historia. Caracas, 1990.

* Profesor de la Facultad de Ciencias Económicas y Sociales de la Universidad Central de Venezuela. Miembro-fundador de la Comisión Asesora Presidencial para la Reclamación del Esequibo (1982-1983)

16 febrero 2007

Primer Encuentro Juvenil Nacional

Por Amalio Belmonte*

Un magnífico acto denominado "Primer Encuentro Juvenil Nacional", reunió a más de 1600 estudiantes de 4º y 5º año de bachillerato (según denominación tradicional) para iniciar un programa nacional cuyo propósito esencial es la defensa de libertad académica, el respeto por la diversidad y el rechazo a la ideologización forzada pretendida por el oficialismo.

De la mayoría de los estados del país hubo representación, mediante delegaciones, que testimonian la preocupación de estos estudiantes por los planes, normas y leyes del Ejecutivo Nacional vinculadas con la educación. Hubo acuerdo para realizar eventos similares en cada una de las capitales de estado y la convicción de prepararse para jornadas de discusión que relacionen los asuntos académicos con los políticos. No es la tarea habitual de los jóvenes asistentes al acto, pero consideran indispensable dotarse de suficiente información y formación para examinar los componentes ideológicos del desiderátum oficial, manifiesto en el Proyecto de Ley Orgánica de Educación (revisada y corregida la primera versión consensuada, agosto de 2001); en el "Motor Moral y Luces", el proyecto de Liceo Bolivariano y los objetivos del virtual Sistema de Educación Bolivariano, a lo cual se añadió los poderes ilimitados que tiene el Presidente por virtud de la "Ley Habilitante" con alto grado de maleabilidad, adaptable a los deseos presidenciales.

Los temas abordados por los ponentes, incluidos los estudiantes, pueden resumirse de la siguiente manera:
Pensamiento único. Diversidad, pluralismo y educación democrática. Los contenidos ideológicos del PLOE. El sistema de educación bolivariano, las misiones educativas y la intención de hacer de la educación una inmensa escuela de cuadros para sustentar al oficialismo. La autonomía universitaria y el pensamiento libre. La educación para la libertad. Redes para la defensa de la democracia educativa. Ideologización y el llamado "hombre nuevo". Individuo, compromiso social y colectivismo.

En casi todas las intervenciones se expresó la disposición para unir esfuerzos a los fines de crear un movimiento nacional en el cual las universidades deben contribuir con su experiencia y sus tradiciones de luchas por la defensa de la autonomía, que es al mismo tiempo la defensa de la democracia.

Por nuestra condición de ponente, profesor de la UCV, se nos pidió comunicar a todos los sectores preocupados por la ideologización forzada y por los retos para la autonomía universitaria el interés de profesores, padres y estudiantes para realizar jornadas comunes por la educación nacional. "La UCV –insistían– tiene un papel de mucha importancia en las actuales circunstancias dé Venezuela".

Fue muy significativo el rechazo de los estudiantes al discurso que pretende colocarlos en el rol de privilegiados, de indiferentes ante los problemas sociales con el fin de crear percepciones negativas en la opinión pública y contraponerlos, mediante subterfugios, a los estudiantes de otras instituciones. Les parece oportunista. Así, han creado mesas de trabajo con delegados de los centros educativos pertenecientes al sector público para converger en la defensa del derecho a la diversidad, contra la ideologización oficial.

Como se puede apreciar, hay talante, mística, disposición para trabajar y sentido unitario en los estudiantes reunidos en el "1er Encuentro Juvenil Nacional".
En la UCV tenemos la palabra y el deber de responder al problema y sus consecuencias generales, y a los estudiantes que demandan nuestra participación.

¡Impermeables al desaliento!

* Sociólogo. Coordinador de la Comisión del Consejo Universitario de la Universidad Central de Venezuela

13 febrero 2007

El futuro se ve desde el pasado

Por Liliana Fasciani M.

Diario El Universal

No hay bola de cristal, ni cartas, ni caracoles en los que pueda vislumbrarse el futuro. Insisto en que si se quiere tener alguna idea de por qué están las cosas como están y cuál es el posible desenlace del drama que a cada país le toca en –buena o mala– suerte vivir, la única luz se halla en el túnel de la Historia. Basta con mirar hacia atrás para “adivinar” lo que hay más adelante. Y, también, para entender lo que sucede en un momento determinado, por ejemplo “ahora” en Venezuela, Bolivia y Ecuador.

Hugo Chávez, Evo Morales y Rafael Correa no aportan ninguna innovación al modo en que la política ha transcurrido en la mayoría de los países del mundo desde cuando ésta se inventó. Las ideas que promueven y defienden ni siquiera son suyas, provienen de lejos en el tiempo y en el espacio. Nada han agregado al catálogo de características que definen a un gobierno como populista, caudillista, autoritario, militarista o comunista, rutas por las que ellos, en el mismo tren pero en vagones distintos, transitan. Lo que han hecho ha sido adoptar una ideología, tratar de adaptarla a las condiciones generales de sus respectivos países, y venderla como si la hubiesen retocado con un pincelazo de nacionalismo que tampoco ha nacido de sus partos mentales.

Releyendo, después de cierto tiempo, un par de libros cuyos autores analizan, desde puntos de vista y posturas ideológicas completamente opuestos, el problema del subdesarrollo, la miseria y la corrupción político-institucional en América Latina, he llegado a dudar que exista alguna “salida” compartida, aceptada y ejecutable para nuestra región. No por falta de propuestas acertadas y viables, que las hay en cantidad, sino por exceso de vicios en todos los sectores de nuestras sociedades. Esto es lo que impide transformar en hechos las reformas necesarias y lo que, simultáneamente, agrava la infección que padecemos.

En “Los fabricantes de miseria”, Apuleyo Mendoza, Carlos A. Montaner y Alvaro Vargas Llosa –100% liberales– exponen sin ambages las causas, los procedimientos y las consecuencias de la actitud que asumimos los latinoamericanos ante nuestros problemas más acuciantes, y de la aptitud que hemos desarrollado para sobrevivir al caos, aprovecharnos de ello y hasta contribuir a mantenerlo.

En “Las venas abiertas de América Latina”, Eduardo Galeano –de la rancia izquierda– lleva a cabo una minuciosa disección en el malogrado cuerpo de nuestro continente, detectando en cada uno de sus órganos los tumores imperialistas y los virus nacionalistas que le llevan a la tajante conclusión de que la culpa de nuestra situación la tienen “otros”.

Ambos trabajos merecen atención, independientemente de las tendencias políticas de los autores, porque en sus páginas aparece dibujado buena parte del pasado que nos concierne y del presente que nos estremece. Nuestro futuro dependerá de lo que hagamos con lo que tenemos, del modo cómo usemos las herramientas con las que contamos. La institucionalidad es una de ellas, siempre que no haya sido destruida. Los partidos políticos son la expresión natural de la democracia, siempre que no hayan sido suprimidos. El sufragio es el mecanismo de elección y decisión por excelencia, siempre y cuando sea transparente.

12 febrero 2007

Nuevos atropellos a los accionistas minoritarios de la Electricidad de Caracas

Por Alberto Baumeister Toledo*

No salgo de mi asombro al ver las reacciones de la gente del lado de acá ante los atropellos del gobierno y con la anuencia festinada de los del lado de allá, ahora en este caso demostrado todo ello con lo de la pretendida compra, nacionalización, estatización o confiscación de la Electricidad de Caracas.

Lo de los lados opuestos, hasta ahora no existentes en Venezuela, es un producto autóctono, originario, o mejor dicho, como ellos mismos lo llaman, endógeno, cuya autoría completa es de este nuevo régimen, dizque socialista del XX, para mi, vulgarmente, más bien socialismo acomodaticio de un grupete que, sin filosofía ni rumbo definido, ha logrado que un pueblo inconsciente, iletrado y ayuno de principios los siga cual corderos guiados al matadero, con la simple oferta de un puñito de pasto, representado por vanas promesas, vacías de contenido, de una mejora de su condición social aupada por la rebaja de la que ostentan quienes la tienen escasamente sólo un poquito mejor.

Definitivamente que quienes han actuando de tal forma lo han logrado a costa de la suerte de haber encontrado un país entreguista y entregado, un pueblo ayuno de cultura y de educación, flojo y acomodaticio, o, de repente, como algunos también lo califican, de hasta vivo y sinvergüenza, pues bajo la ilusión de contar con la existencia de riquezas inagotables que le han vendido sus ductores políticos, ni cortos ni perezosos optan por la conducta del Gavilán, esto es, no me molesto siquiera en buscar comida, pues, cuando la necesito, cuento con mi vista y sagacidad y con la abundancia de recursos con la cual nos tiene dotados la Providencia. Nadie trabaja no teniendo necesidad de hacerlo, ni cachicamo consciente de su descuido, le cede generosamente su hueco a lapa.

En efecto, a ojo de buen cubero, si el país da inagotablemente hasta para robar sin límite y soportar la ineficiencia, ineficacia y tozudez de “adecos, copeyanos y chapistas”, bien tonto soy si me preocupo por él ni por su mejoría, ni por sus instituciones, ni por su moral, ni por su acontecer. Simplemente dejo que las cosas vengan solas y naturalmente, o que un demente irresponsable imponga un plan de emergencia en el cual se le paga a todo el mundo aún sin trabajar, o que otro infeliz tolere y admita que todo su tren de gobierno robe a dos manos, como aquel ingente Presidente de Cadafe (quien de casualidad no se llevó hasta la luz para su casa en el exterior), o que un irresponsable golpista, abanicando su apodo de “rapaz revolucionario”, para peor, pues no lo fue ni lo es para hacer que el país avance o cambie para bien, dispongan como si fueran suyas de las reservas monetarias del país, ni atribuya los beneficios del petróleo a quien le dé la gana, y si es en el extranjero mejor, ni finalmente respete ni preste apoyo justo a quienes por sus esfuerzos y ahorros de unos pobres creyentes en su tierra y su mercado de capitales y fortaleza de entes privados, con larga trayectoria de éxitos empresariales, de un día para otro, y sin que medie razonamiento serio de especie alguna, se les disminuyan sus inversiones a valor cero, o al sólo doce por ciento de lo que en su momento parte de ese patrimonio fue vendido por los que se salieron, irrespetando al resto de los minoristas y quedando bien acomodados.

No puedo concebir tampoco cómo una empresa multinacional, que invirtió 2.200 millones en la compra de unas acciones, ahora las entregue, por banales 703 millones, sin decir siquiera “mí” ( no precisamente por la nota musical, sino por el sonido, por demás criollo, usado para cuando se nos pretende hacer creer en lo que estamos seguros no puede ser posible).

Pero es que no puede ocurrir otra cosa diferente, aun en la empresa más ordenada y completa que trabaja en el país, con larga trayectoria privada y buen uso de sus recursos y mejores resultados en su productividad, cuando tenemos el mal ejemplo aupado del despilfarro de los fondos públicos en las micro empresas, o en las flamantes cooperativas y en otros experimentos rotundamente fracasados con los cuales se dispone, regala y dilapida el dinero de toda la nación bajo la excusa de que se está haciendo justicia social.

Hasta donde entendemos sensato, un asunto de esta magnitud se debe y se tiene que tramitar con absoluta transparencia, prestando toda necesaria información a cuantos tengan la condición de accionistas y, en especial, a los minoritarios, dando cumpliendo a todos los trámites legales contemplados en las leyes, brindando la poca o ninguna protección que merecen, el contrato no es un negocio de compra de acciones, ni de expropiación por causa de utilidad pública, ni nada que se le parezca, es vulgarmente asaltarlos con premeditación y alevosía, prevalidos de la condición del mas fuerte, como gobierno que son, y de la tradicional y lamentable escisión e indefensión que predomina en los grupos minoritarios de menos recursos.

Con la operación propuesta y la forma en que se ha vendido será implementada, se violentan los derechos de una considerable minoría accionaria, lo que es injusto e inaudito, pues en ellas también hay compatriotas que merecen respeto. pues lucharon por tener esos ahorros, por apoyar la productividad nacional y han servido para construir país.

No puede el Estado a su solo arbitrio, por insolente y prepotente que lo sea, fijar a fortiori y solo arbitrio el valor de esas inversiones, ni pagar lo que a bien tenga por lo que mucho vale para quienes lograron que sus inversiones justas y legales crecieran y se valorizaran.

El cinismo en esta operación ha rebasado toda barrera. En efecto, si en adición a lo antes dicho leemos los “versos de amor” y entrelíneas de las declaraciones del Ministro del ramo, quien alegó y cita en apoyo a la protección de esos socios minoritarios despreciados en la cruel operación, que se les dará idéntico trato que el brindado a los empleados de PDVSA. Si ello fuere así, tengamos por seguro que además seremos cruelmente expoliados y pisoteados en nuestros derechos. Si tendrán ese mismo trato, de inmediato esos ahorristas accionistas de la Electricidad deben y tienen que preguntarse cuál protección se les ha brindado a los “pedevecistas”, que han sido desprendidos sin trámite legal alguno de sus trabajos, despojados de sus prestaciones sociales y ahorros, y a quienes se han burlado sus derechos, y se les ha excluido de la justicia ordinaria para la defensa de tales atropellos.

Lo que por igual me tiene confundido, anonadado y me deja impávido es la actitud insólita de quienes en esa forma verán perdido su patrimonio, el silencio cómplice de quienes militan en la fila de accionistas minoritarios de la Electricidad y nada dicen ante estos atropellos, y los que sediciosa e inexplicablemente, como Directores de esa empresa atropellada, guardan absoluto silencio y no salen en defensa de todos los accionistas por igual, pues si bien es cierto que chupan y maman de los pezones de la accionista mayoritaria, sus salarios y remuneraciones la reciben por igual en parte con lo que es de los minoritarios y, por tanto, también merecen ellos defensa ante el atropello.

Es decir, el resto de los accionistas de la Electricidad son huérfanos de padre y madre, esto es, ni el Estado, ni la Empresa en la que han puesto su patrimonio y sus ahorros, los defienden. Si a la mayoritaria le parece ideal el mendrugo que le pagan por sus acciones, a los demás accionistas nos parece un atropello vil e insensato ese valor autoritariamente fijado contra toda norma o principio legal o racional.

Ahora, no una, sino ya dos veces, estamos haciendo papel de tontos útiles quienes somos accionistas minoritarios en ELECAR. Nuevamente, hasta les prestamos la cama tanto a los anteriores mayoritarios como a la ahora empresa extranjera condueña, para que les sirviera de acolchado lecho donde nos harán perder la virginidad como socios de buena fe y manejarnos a su antojo. En esta ocasión, nuestro papel de ingenuos ciudadanos será peor que el papel de los pedevecistas, y más lamentable que el de los Cubanos que se autoexiliaron de su país cuando llegó el nefasto comunismo castrista y salieron corriendo, dejándoles abandonados sus bienes y haberes sin motivo alguno.

Definitivamente que en Venezuela se acabaron los pantalones de hombres y la conciencia sobre lo que es y debe ser la propiedad privada, ni lo que es el ahorro para tener vida mejor en el futuro, ni una vejez menos aciaga y el interés mas light por defender la patria.

Ahora si es verdad que uno debe concluir que Chávez, el chavismo y sus huestes tienen razón de hacerse dueños del país, ante el abandono inminente que hemos hecho por tan caros valores, quienes integramos el resto de los habitantes de este insólito país.

Yo sí les prometo algo: ni me quedaré callado, ni dejaré de defender lo mío, y si para ello es preciso, hasta a costa de mi vida o de mis más caros intereses procederé dando la cara para repeler tan grande nuevo atropello.

* Individuo de número de la Academia de Ciencias Políticas y Sociales

08 febrero 2007

Destruyendo a Venezuela

Por Richard W. Rahn*

Diario Las Américas

Si el presidente Chávez lo que busca es destruir a Venezuela, lo está haciendo muy bien. Aunque la prensa ha informado ampliamente que Chávez está poniéndole la mano al petróleo, a las telecomunicaciones, a la energía eléctrica y a los medios, poco se habla de la explosión de corrupción en ese país, lo cual resultará siendo el tiro de gracia para la economía.
La corrupción galopante en Venezuela puede resultar peor que el programa “petróleo por alimentos” de las Naciones Unidas, hasta ahora el mayor escándalo económico de la historia. La economía venezolana ha estado creciendo debido al aumento de los precios del petróleo, pero se trata de una casa de naipes a punto de colapsar. Gustavo Coronel, anterior representante de Transparencia Internacional en Venezuela, documentó la explosión de corrupción venezolana en una reciente investigación publicada por Cato Institute.
Hace 40 años, Venezuela era una democracia que gozaba de crecimiento económico, pero la corrupción comenzó a dispararse a mediados de los años 70. En 1998, Hugo Chávez fue electo presidente de Venezuela, ofreciendo luchar contra la corrupción. Desde entonces, se ha dedicado más bien a acabar con las instituciones políticas independientes, enturbiando año tras año las actuaciones del gobierno.
Chávez eliminó la independencia que le quedaba al Banco Central y dispuso de gran parte de las reservas. Parte de esos fondos han sido utilizados para comprar miles de millones de dólares en bonos argentinos, de manera de ejercer influencia en ese país. Fuera de las compras de Chávez, Argentina no ha logrado vender sus bonos en el exterior desde que declaró la cesación de pagos en 2001.
Los bonos argentinos comprados por el gobierno venezolano han sido vendidos a banco amigos en Venezuela, los cuales han obtenido fabulosas ganancias jugando con los tipos de cambio. El control de cambio establecido por el gobierno venezolano para frenar la fuga de capitales ha creado un mercado negro paralelo. Las tasas de cambio –oficial y paralelo-, cada día más diferentes, llenan los bolsillos a los amigos del régimen, incluyendo a varios con largo historial terrorista.
Desde 2004, el Banco Central de Venezuela ha transferido al exterior unos 22.500 millones de dólares, de los cuales se desconoce el paradero de unos 12 mil millones de dólares. También se dice que han sacado las reservas de oro del Banco Central.
En la medida que el gobierno de Chávez se apodera de industrias privadas, esas empresas dejan de reportar sus resultados financieros y lo mismo ha sucedido con Petróleos de Venezuela (PDVSA), dueña de Citgo en Estados Unidos. De igual manera, los venezolanos pronto dejarán de estar enterados de las finanzas de las empresas que están siendo estatizadas. El Banco Central y PDVSA se han convertido así en la alcancía de Chávez.
¿Adónde va tanto dinero? En parte se dedica a influenciar y a comprar lealtades en países como Cuba, Argentina, Bolivia, Nicaragua, Ecuador y hasta Estados Unidos. En este país se hace subsidiando a consumidores de gasoil, a través de una empresa controlada por miembros de la familia Kennedy. Otra parte del dinero se utiliza para comprar armamentos y ganar amigos para Chávez en Rusia, España, China, etc. Y mucho dinero se distribuye premiando la lealtad de ministros, generales, burócratas y jueces.
La economía venezolana terminará colapsando. Mientras casi todo el resto del mundo se aleja del socialismo, Venezuela va en dirección contraria. La imprenta del Banco Central se utilizará más y más en imprimir billetes hasta que la economía se desplome.
Venezuela ya ocupa el lugar 126 de 130 naciones en el Informe 2006 de “Libertad Económica en el Mundo”. En 1995, Venezuela ocupaba el puesto número 75.
Chávez y sus compinches ya están gastando mucho más de lo que ingresa a Venezuela por sus exportaciones petroleras. El futuro de Venezuela y de los venezolanos es tan negro como su petróleo.

*Director General del Center for Economic Growth y académico asociado de Cato Institute.

Influencia de la izquierda académica

Por Carlos Alberto Montaner

Fundación Burke

El peso de la familia, o de la figura más respetada dentro de ella, probablemente tiene un impacto mucho más duradero que la opinión tardía de un profesor, de un intelectual o de un artista admirado.
Los electores norteamericanos calientan los motores. Donde más se siente la proximidad de los comicios es en los medios académicos, especialmente porque la nómina de candidatos demócratas es muy amplia y ya se sabe que en el mundo universitario de Estados Unidos los republicanos son una rareza en peligro de extinción. La intelligentsia gringa, pues, deberá debatir amargamente si apoya a Hillary Clinton, al senador Obama, un brillante mulato con voz abaritonada por el cigarrillo, al sureño proteccionista Edwards o a otro de la docena de candidatos de esa tendencia que se disputan la Casa Blanca.

No creo que nadie se sorprenda: el mundo académico es de izquierda, como todos sabemos, pero el grado de inclinación ideológica se ha podido medir con alguna precisión. En una nota aparecida hace algún tiempo en The New York Times, el periodista John Tierney resumió las conclusiones de una amplia encuesta llevada a cabo en varias emblemáticas universidades norteamericanas: la proporción de profesores demócratas frente a los que se clasifican como republicanos es de nueve a uno. Como regla general, en las disciplinas científicas el desequilibrio es menor: por cada tres profesores de economía demócratas sólo hay uno republicano. Pero, en las Humanidades y en las Ciencias Sociales la diferencia llega a ser abismal: hay 30 antropólogos demócratas por cada republicano. Sospecho que en las facultades de periodismo y comunicación sucede exactamente lo mismo, y me atrevería a asegurar que en las facultades universitarias españolas, si dividimos al profesorado en progres y conservadores, los resultados deben de ser muy parecidos.

La experiencia y la simple observación indican que ese fenómeno se repite en todos los países de Occidente, pero las consecuencias varían de acuerdo con la definición de izquierda y derecha que prevalece en cada uno de ellos. La izquierda académica norteamericana, dulce y obediente de la ley, se suele quedar pastando en los predios del Partido Demócrata, y aunque pueda ser tan radical como Noam Chomsky, sus elucubraciones concluyen en un candente artículo divulgado por Internet o sepultado en una oscura publicación que apenas leen unos pocos centenares de miembros de la misma secta, aunque el propio Hugo Chávez le haga propaganda desde el podio de Naciones Unidas. La sangre, afortunadamente, nunca llega al río.

En América Latina o en Europa es diferente: los criminales de Sendero Luminoso surgieron del Departamento de Filosofía de una universidad peruana de provincias. Comenzaron leyendo a Hegel y a Marx y terminaron degollando campesinos acusados de colaboracionistas. Algunos terroristas vascos de ETA, no se sabe cómo y para sorpresa de la Iglesia, se incubaron en seminarios católicos. Mientras los jesuitas norteamericanos en EEUU auspiciaban excelentes centros educativos respetuosos de la ley, como Georgetown o Fordham, en El Salvador y Nicaragua, desde la UCA, la Universidad Centroamericana, otros jesuitas fascinados con la Teología de la Liberación alentaban las guerrillas comunistas (y luego resultaban asesinados por los militares). La diferencia es obvia: la izquierda intelectual norteamericana no cuestiona la esencia del modelo de sociedad en que vive, sino los defectos que cree percibir. No hay en ella espacio para la utopía. En otras latitudes, ciertos intelectuales no quieren corregir la realidad, sino dinamitarla para construir con los escombros un mundo maravilloso.
BIEN, ya que ahora tenemos la certeza de que el mundo universitario y su entorno intelectual son de izquierda, a lo que es legítimo agregar que los medios de comunicación también suelen escorarse en esa dirección, lo interesante es preguntarse cómo es posible que la sociedad escape a esa apabullante influencia que le llega por medio de catedráticos respetables, o admirados periodistas, escritores y artistas. ¿Cómo los republicanos en Estados Unidos, o los conservadores en España, Italia y Colombia, pueden ganar elecciones si en casi todas las instancias y escenarios en que se discuten propuestas y soluciones para los conflictos sociales, prevalecen ideas contrarias a las que ellos sostienen?

La respuesta acaso está en la forma en que las personas transmiten y adquieren la información y los juicios de valor. El peso de la familia, o de la figura más respetada dentro de ella, probablemente tiene un impacto mucho más duradero que la opinión tardía de un profesor, de un intelectual o de un artista admirado. Más del 70% de los editoriales de los diarios norteamericanos apoyaron a Kerry frente a Bush en las últimas elecciones, pero eso no sirvió de mucho. Como tampoco fue muy útil la exitosísima película de Michel Moore, o que 100 notables actores y cantantes de Hollywood se volcaran en apoyo del senador de Massachusetts. Frente a todos ellos prevaleció la remota voz del padre, de la madre... escondida en un insospechado recoveco de la memoria.

Frente a lo que usualmente se cree, no es fácil manipular a la opinión pública, y resulta casi imposible “lavarle el cerebro”. Lo que tampoco quiere decir que las personas siempre se guían por ideas correctas o por intuiciones certeras, sino que a lo largo de la infancia y la adolescencia adquieren una cierta cosmovisión y una estructura de valores que en la etapa adulta los blinda contra la influencia de informaciones o juicios morales contrarios o muy diferentes a los que forjaron su carácter.

Si se acepta esa premisa, se comprende mejor la esencia de la labor política en los regímenes democráticos: la clave no está en describirles brillantemente a los electores el contorno de la realidad, sino en entender cómo ellos la perciben. Los políticos que lo logran son los que triunfan.

07 febrero 2007

La democracia consiste en consolidar instituciones

Entrevista a Ignacio Walker
Ex canciller chileno y actual Presidente de CIEPLAN

Apertura Latinoamericana

- "Por definición el populismo es una democracia personalista, no una democracia de instituciones, incluso apelando a la democracia participativa, directa, etc."

- "Los países latinoamericanos tenemos que atenernos a ciertas normas internacionales que establecen ciertos niveles de exigencia del punto de vista de la libertad de expresión, del pluralismo político, etc., como nunca lo hemos tenido en América Latina".

- "El presidente Chávez se siente de alguna manera con una tremenda legitimidad para hacer y deshacer. Ahora, los anuncios de él son malos anuncios y uno puede saber cómo termina esa historia de nacionalizaciones, de restricciones a la libertad de expresión, de límites al pluralismo político".

- "Todo este fenómeno clientelístico corporativo tan recurrente en la realidad de América Latina, no sólo en Venezuela, Bolivia, Ecuador, sino que en muchos otros países, tiene mucho que ver con esto, con los grados de discrecionalidad que tiene la autoridad presidencial".

- "Ser progresista hoy es abogar por apertura económica, y por un mercado que funcione bien y ahí está el espacio muy importante de las políticas públicas, siempre evitando este presidencialismo clientelista, elitista, corporativo, que al final paga favores con recursos del Estado, porque eso termina mal y lo sabemos a través de nuestra historia".

>Gabriel Salvia: ¿Qué panorama puede hacer de la democracia en la región?

Ignacio Walker: Yo creo que hay dos tipos de noticias, las buenas y las malas. Las noticias buenas son que en el último año se han realizado doce elecciones presidenciales, desde Honduras, Chile, Bolivia, a fines del 2005, hasta Nicaragua, Ecuador y Venezuela, que fueron las últimas de este año; con lo que se demuestra la buena salud de la democracia electoral, con elecciones limpias y mucha participación ciudadana. Eso es positivo. Recuerda que hace 20 o 25 años sólo había elecciones en América Latina en: Costa Rica, Colombia y Venezuela, es decir que la realidad ha cambiado diametralmente en un buen sentido. Hay democracia electoral, hay competencia por el poder y eso es positivo.
La mala noticia, es que en los últimos 20 años, desde mediados de los '80, catorce gobiernos no han concluido su periodo constitucional, desde Collor de Mello hasta Carlos Meza en Bolivia en el año 2005. Hubo catorce gobiernos que no pudieron concluir su periodo constitucional. Eso nos habla entonces de que hay problemas de gobernabilidad democrática, hay problema sobre la calidad de la democracia y las instituciones, hay problemas sobre el desempeño del Estado y su capacidad de responder a las legítimas demandas de la gente. Ése es un aspecto.
Ahora el segundo es sobre Chávez en Venezuela y Correa en Ecuador. Ése es el fenómeno del populismo o del neo-populismo. Por definición el populismo es una democracia personalista, no una democracia de instituciones, incluso apelando a la democracia participativa, directa, etc., al final lo que se termina instalando es una democracia personalista, plebiscitaria, apelar directamente a las masas, es decir populista. Y eso es un problema porque la democracia consiste en consolidar instituciones.

G.S. -¿Se le puede poner algún límite, especialmente de las organizaciones internacionales que hay, a estos populismos que tanto daño le hacen a las democracias?

I. W. - Yo creo que las organizaciones internacionales tienen un espacio que jugar. Recordemos que el día 11 de septiembre de 2001, el mismo día del fatídico ataque a las Torres Gemelas en Nueva York, se firmaba en Lima la Carta Democrática Interamericana, documento muy importante en el sentido de la vara con la cual se miden los gobiernos de Latinoamérica. Los países latinoamericanos tenemos que atenernos a ciertas normas internacionales que establecen ciertos niveles de exigencia del punto de vista de la libertad de expresión, del pluralismo político, etc., como nunca lo hemos tenido en América Latina. Ahora, no tienen ninguna capacidad para hacer efectivas esas exigencias por la fuerza de dichas normas, como lo hace un tribunal desde el punto de vista jurisdiccional, pero estos temas más que judiciales-jurisdiccionales son políticos y por lo tanto hoy en día es muy impresentable en América Latina retrocesos que impliquen cualquier tipo de mecanismos o ejercicios autoritarios como restringir, limitar o suprimir aún más la libertad de expresión, el pluralismo político, el sufragio universal, etc. En el fondo los pueblos, por un lado, exigen la solución a los problemas sociales. A mi juicio, el populismo o neo-populismo que encontramos en muchos estos países, más que la causa de los problemas, es el síntoma que demuestra el colapso de sistemas políticos tradicionales, de sistemas de partidos tradicionales. Piensa en lo que ha ocurrido en Venezuela y Bolivia, en que el COPEI y ADECO, la socialdemocracia y la democracia cristiana venezolana, colapsaron en un sistema que aparentemente era sólido y donde había un sistema de partidos, en donde desde el año '58 que no ha habido básicamente intervenciones militares o fácticas en Venezuela y lo mismo ocurrió en Bolivia. Entonces la emergencia del surgimiento de Hugo Chávez, Evo Morales, de Rafael Correa, son la expresión a su vez de la incapacidad de las elites políticas tradicionales, de las instituciones tradicionales, de los sistemas de partidos tradicionales para responder a las legítimas demandas sociales que existen en nuestros días.

G.S. - ¿Qué evaluación puede hacer de los recientes anuncios que hizo Hugo Chávez al asumir nuevamente, y especialmente los calificativos que tuvo con José Miguel Insulza?

I. W. - Bueno, lo de Insulza no necesita análisis porque es una cosa tan destemplada, un agravio tan gratuito, tan innecesario. Creo que la solidaridad de la región con una personalidad de la región, no sólo chilena sino latinoamericana como es José Miguel Insulza, que ha hecho un gran papel en la OEA este año. A mí me tocó ser observador en Nicaragua y el papel de la OEA ha sido muy decisivo al consolidar estos procesos electorales. Ahora lo que ocurre es que el presidente Chávez se siente de alguna manera con una tremenda legitimidad para hacer y deshacer. Recuerda que ésta es la tercera elección que gana: ganó el '98, ganó el 2000 y ganó ahora, y nadie puede desconocer que ganó, hay allí también una expresión de la democracia frente a ese colapso y desgaste que hablábamos recién del sistema tradicional. Ahora, los anuncios de él son malos anuncios y uno puede saber cómo termina esa historia de nacionalizaciones, de restricciones a la libertad de expresión, de límites al pluralismo político, y esto en momentos que jura su nuevo gabinete, con lo que se puede esperar un cierto retroceso del punto de vista de las instituciones democráticas de Venezuela. Pero insisto, él tiene una legitimidad diplomática formal que nadie puede discutir. Éstas son el tipo de contradicciones que se dan en nuestros procesos: el lado claro y el lado oscuro de la luna. Y por supuesto que hay- en este proceso con Chávez, con Morales, con Correa, en fin, en Venezuela, en Bolivia y Ecuador, y no solo en ellos desgraciadamente- signos de que esta democracia personalista, que no es la democracia de instituciones, una respuesta populista a fenómenos sociales que son reales. Pero el populismo es una fantasía, una solución aparente a problemas reales y siempre sabemos cómo termina: el populismo en América Latina termina mal. El populismo desgraciadamente está en tensión con las instituciones de la democracia representativa.

Ricardo López Göttig: Con respecto al populismo, cuando llega al poder tiene un discurso muy atractivo para una gran parte de la población, pero ¿cómo se le vence con una oposición seria, responsable? ¿Cómo se le vence electoralmente?

I. W. - Generalmente las causas que dan origen a los populismos económicos o sociales, tienden a desaparecer porque las economías son cíclicas. Entonces resulta que es fácil ser populista con los precios del petróleo que tenemos, con una tremenda caja fiscal, incluso este es un populismo muy sui géneris , porque es un populismo con una cierta responsabilidad fiscal, o sea los fenómenos de hiperinflación de los años '80 o los déficit fiscales crónicos no se están dando y esto porque estamos en un momento de bonanza económica, pero los ciclos económicos tienen alzas y bajas, por lo que uno se pregunta qué va a pasar en un momento de vacas flacas, cuando empiecen a presionar los fenómenos inflacionarios el impacto fiscal que ellos tienen. Es ahí donde empiezan los resquebrajamientos del ciclo populista, se remueven las condiciones económicas que le permitieron consolidarse; la crisis económica se convierte en una crisis social; la crisis social deviene en crisis política y a veces en crisis constitucional, y es ahí donde los pueblos enfrentan dilemas muy trágicos. Por esto el gran antídoto al populismo en América Latina, son las instituciones, son los partidos políticos, es la libertad de expresión, son los parlamentos. El verdadero dilema, yo creo, es entre democracia y populismo, entre instituciones y personalismo. Todo este fenómeno clientelístico corporativo tan recurrente en la realidad de América Latina, no sólo en Venezuela, Bolivia, Ecuador, sino que en muchos otros países, tiene mucho que ver con esto, con los grados de discrecionalidad que tiene la autoridad presidencial, la autoridad gubernamental, para administrar recursos. El pago de favores, en fin, el clientelismo, las estructuras corporativas, cómo los grandes grupos de interés presionan mientras que las grandes masas no tienen esa voz que tienen los grupos de interés más organizados. Entonces el populismo, el clientelismo, el corporativismo, todas estas lacras que tenemos históricamente en América Latina, desgraciadamente conspiran contra el anhelo de estabilidad democrática, de consolidar instituciones y de crear un horizonte de mediano y largo plazo que sea propio de una democracia sustentable.

G.S. -¿Qué se habla dentro de la dirigencia de la Concertación frente a esta situación que se ve en el vecindario? ¿Qué se habla sobre la política exterior de Chile hacia América Latina?

I. W. - La prioridad de la política exterior chilena es justamente el regionalismo abierto, es decir América Latina como prioridad, pero no excluyente, por eso hay mucha relación con Asia, con Europa, Norteamérica. Pero este es nuestro barrio y de ahí somos, ahí pertenecemos y desde ahí hacemos política exterior, desde América del Sur, desde América Latina. Eso lo tenemos muy claro. Ahora, obviamente, miramos con preocupación, pero sin alarmismo, porque hay signos también muy alentadores en esta democracia electoral de la que hablábamos. Doce elecciones en un año es un signo alentador y ojo que en muchos países el populismo ha sido derrotado, por estrecho margen, pero ha sido derrotado: Alan García le ganó a Ollanta Humala en Perú; Felipe Calderón, a pesar de todo, le ganó a Andrés Manuel López Obrador en México; Leonel Fernández, en República Dominicana, sustituyó a Hipólito Mejías que era un líder populista clásico del caribe. Hay signos muy alentadores. Brasil no es una opción populista, ni la de Cardoso, ni la de Lula. Tampoco lo es Colombia con el presidente Álvaro Uribe, que sacó más del 60% de los votos. O el Salvador. Lo que te quiero decir es que no hay que generalizar, no es que la izquierda populista se esté apoderando de América Latina. Yo he escrito algunos artículos cuestionando eso, porque la realidad es mucho más compleja. Chile, en tanto, tiene sus propios problemas, tenemos nuestros propios problemas. Hay una seguidilla de acusaciones de corrupción en esto últimos tres meses, por ejemplo, lo que es preocupante. Llevamos 16 años en el poder, como tu sabes yo soy parte de la Concertación y a mucha honra, creo que ha sido una experiencia muy exitosa. Te doy un solo dato: la Concertación ha ganado con mayoría absoluta las catorce elecciones que han tenido lugar en Chile desde el plebiscito del '88, y hay cuatro gobiernos: Aylwin, Frei, Lagos, Bachelet, que reflejan esta Concertación que ha sido muy exitosa, pero que tiene muchos problemas, así que lo último que haríamos es darle lecciones a nadie y por supuesto que nuestra política exterior parte por reafirmar nuestra pertenencia a América Latina y claro, dentro de ello, vemos con preocupación que están estos fenómenos populistas, neo populistas, la demagogia, el clientelismo, el corporativismo, que genera aparentes triunfos de corto plazo, una cierta expectativa de progreso, pero que tiene pies de barro desgraciadamente, como lo sabemos a la luz de nuestra historia.

G.S. -En los casos de Brasil y de Chile, ¿están ciertamente incómodos ante lo que pasa en la región?
I. W. - Es una región compleja la nuestra, pero yo insisto, aquí hay que mirar el cuadro más global, porque es una realidad muy compleja, muy heterogénea y en donde hay signos muy alentadores. Piensa tú que América Latina lleva tres años consecutivos de crecimiento económico entre un 4% y 5% y bueno Argentina y Venezuela están creciendo al 9% o 10%, recuperando una gran caída como la que fue la del 2000 -2002. Pero llevamos tres años consecutivos de un crecimiento económico entre 4% y 5% promedio en la región, aunque Brasil y México han sido bajos –entre 2% y 2,5%- a propósito de que Venezuela y Argentina han sido altos. Eso tiene un efecto en el tema que nos interesa que es la pobreza. Fíjate que el informe de la CEPAL demuestra que del 2002 a esta parte, habiendo crecido tres años consecutivos, la pobreza en la región ha bajado del 44% al 38%. Entonces sin crecimiento económico no hay solución a la pobreza. Pero no basta con el crecimiento económico, tal vez con la fórmula chilena: crecimiento con equidad, mercado pero con políticas públicas, con un Estado fuerte, activo y por supuesto que en el sector productivo respetando el protagonismo privado. Pero desde el punto de vista de las políticas públicas, necesitamos Estados fuertes, sólidos, no grasosos ni burocráticos, que no entorpezca el crecimiento y el desarrollo. Entonces es un equilibrio complejo, de una economía abierta, de mercado, que es el caso chileno: muy abierta, muy de mercado, y eso está bien y se da bajo un gobierno de centro izquierda, bajo cuatro gobiernos de centro izquierda. Ser progresista hoy es abogar por apertura económica, y por un mercado que funcione bien y ahí está el espacio muy importante de las políticas públicas, siempre evitando este presidencialismo clientelista, elitista, corporativo, que al final paga favores con recursos del Estado, porque eso termina mal y lo sabemos a través de nuestra historia.

G.S. -¿Qué crédito le da a Alan García y a Ortega?

I. W. - El de Alan García es alentador, porque la verdad que el gobierno de García en el '85 fue un desastre. Fue el prototipo, la caricatura casi del populismo con la hiperinflación del cinco mil o seis mil por ciento o fenómenos como el Sendero Luminoso. Ése fue un gobierno para olvidar y yo lo que veo como alentador y como positivo, es que el propio presidente García aprendió las lecciones de ese fracaso estrepitoso, de ese populismo desatado y hoy está en una postura más social demócrata. Tu insinuabas, y es bueno decirlo, al presidente Tabaré Vázquez en Uruguay que es una persona de centro izquierda, moderada, no populista; lo mismo en Perú con Alan García, con Oscar Arias en Costa Rica, Leonel Fernández en República Dominicana, Lagos y Bachelet en Chile. Es decir, hay una centro izquierda progresista moderna, con rasgos liberales como tu bien decías, que es distinta de esa izquierda populista, y Alan García es interesante porque es el vuelco de un populismo de izquierda a una posición más sensata de instituciones, de socialdemocracia. Daniel Ortega es distinto, porque el sandinismo de hoy día no es el mismo de la revolución del '79. Nosotros tuvimos una larga conversación con Daniel Ortega en junio, cuando esto comenzaba, y él: ¿de qué nos hablaba? De registro electoral, de padrón electoral, de apoderados de mesa o fiscales de mesa, de recuentos de votos. Es decir, con una lógica electoral y él obtuvo un triunfo de un 35% con una oposición cercana al 50% en el parlamento. Entonces Daniel Ortega no va a hacer el sandinismo que conocimos el año '70 con la revolución, es un sandinismo post revolucionario, se ha cuidado mucho en su leguaje, y de hecho la elección terminó con una canción de John Lennon, con apelaciones a la paz y a la reconciliación y con una fuerte presencia de la Iglesia Católica. Es decir, ese sandinismo de hoy de Ortega no tiene mucho que ver con este del que se habla de Venezuela, Bolivia, Cuba.

G.S. -Para terminar, ¿qué se está debatiendo hoy en las políticas públicas de Chile? Y dentro de la democracia cristiana, ¿cómo están las actividades que están realizando y cómo está la situación de la DC , que es el partido al que pertenece?

I. W. - Bueno, la Democracia Cristiana lleva 70 años si consideramos el periodo de la Falange Nacional , 50 años como Democracia Cristiana desde el año '57, sigue siendo el partido mayoritario. En Chile hemos tenido participación en cinco de los últimos seis gobiernos democráticos: seis con Frei Montalva y los últimos cuatro gobiernos de la Concertación. En ese sentido es un partido que está vivo, que está con sus problemas y tiene que renovarse y hay un fenómeno de congreso partidario para justamente discutir las ideas del futuro, encabezado por Soledad Alvear, que sigue siendo de las personas mejor evaluadas de la política chilena en todas las encuestas, que también fue la primera mayoría nacional con un 40% en Santiago en las elecciones de diciembre. Bueno hay un punto muy importante ahí, un punto de inflexión, en donde o se renueva o se queda atrás. Y en los temas de políticas públicas están más referidos a los temas sociales, por ejemplo la reforma provisional. Estamos con unos proyectos que están ingresando al parlamento y que constituyen una revolución más que una reforma yo creo, que es instalar un pilar solidario al lado del pilar de capitalización individual que ha funcionado bien para el 40% que estamos en el servicio previcional privado individual, pero no para un 50% o 60% que no tiene empleo estable, que no tiene ingreso estable. Entonces este pilar solidario consiste en asegurar una pensión básico universal a toda persona mayor de 65 años, haya hecho o no imposiciones. Esto va a estar en pleno efecto el 2012, y va a significar eliminar la pobreza entre los mayores de 65 años en Chile. Es por eso que digo que más que una reforma es una revolución, un verdadero cambio, y hay bastante acuerdo y creo que este año va a ser aprobado. Y bueno la otra gran discusión es la educación, cómo mejorar la calidad y la equidad de la educación. Así que tenemos una agenda larga.

El escorpión: efecto y antídoto

Por Giovannina Orsini Velásquez*

El viernes en la noche estábamos en la sobremesa con unos amigos en una casa en los alrededores de El Junko, cuando un escorpión clavó su aguijón en el dedo medio de la mano derecha de una familiar cercana. El dolor le hizo sacudir la mano de inmediato y el escorpión cayó al suelo y, como suelen ser de movimientos lentos, uno de los amigos lo tapó con un vaso, pasándolo luego a un frasco. Hasta aquí, sin saberlo, se hizo lo correcto: apresar al arácnido vivo. De las 30 personas que estaban en el sitio comenzaron a surgir todo tipo de anécdotas y opiniones.

A la mayoría los habían picado alacranes en distinta oportunidades y no les había ocurrido nada que lamentar, de modo que recomendaban que se quedara tranquila y que, si acaso se sentía mal, pues que nos fuésemos a un hospital. Sin embargo, nos pareció más sensato el consejo de la minoría, que decía que nos fuéramos de inmediato.

Salimos rápidamente hacia Caracas, mientras los que se quedaron buscaban por celular al médico indicado. Tuvimos la suerte de que un amigo dio con el doctor Arellano, quien nos indicó que nos fuésemos a la emergencia de la clínica El Ávila, donde con seguridad se disponía del antídoto elaborado en la Universidad Central de Venezuela, a base de la inoculación del veneno en equinos que, por suerte, es de los más eficaces que se producen en el mundo.

Llegamos a la clínica El Ávila, y al momento llegó el doctor Arellano: un venezolano de los buenos, con 73 años a cuestas, que ha dedicado parte de su vida a la toxicología, y se cuenta entre los fundadores del Centro Toxicológico de Coche.

Al no más llegar nos pidió ver el escorpión, y cuando lo tuvo enfrente se llevó las manos a la cabeza: se trataba de un Isabel Ceciliae, una especie advertida recientemente, a raíz de que pocos años atrás se llevó la vida de Isabel Cecilia, la nieta de cuatro años de un extraordinario escritor y amigo mío. De inmediato el doctor indicó una dosis de antídoto mayor y comenzó el suero intravenoso a batallar con la sustancia mortal del escorpión. De no actuar de inmediato, el efecto del veneno ataca al corazón de la víctima. Mi familiar pasó la noche en la clínica y al día siguiente le dieron de alta, no sin antes hacerle los exámenes necesarios. Ese día fui con el doctor Arellano a casa del professor González Sponga, un hombre silencioso y juicioso que ha dedicado casi toda su vida a estudiar las especies de escorpiones y ofidios, y quien podia certificar con certeza si se trataba de la especie temida. No cabía la menor duda, lo era.

En conversación con estos hombres de ciencia supe que en Venezuela hay alrededor de 115 especies de escorpiones, de las cuales varias son venenosas, pero hasta la fecha ninguna de veneno más tóxico que la Isabel Ceciliae. Allí también supe que los escorpiones del llano venezolano no suelen ser venenosos, pero que de las 11 especies que pululan en Caracas, tres lo son, y altamente.

También caí en cuenta de mi ignorancia al respecto, y de la ignorancia generalizada sobre este tema. ¿Cómo es posible que si se sabe que en la zona de El Junko habita esta especie letal no se tomen previsiones mínimas?

¿Qué hubiera pasado si esto no ocurre a la 10:00 p.m. sino de día, cuando el tránsito es severo? ¿Habríamos llegado a tiempo al hospital? Peor aún: ¿Qué habría pasado si el escorpión inocula a un niño y no a ella, y no se hubiese dispuesto cerca del antídoto y el médico indispensable?

La ciencia venezolana ha hecho lo suyo, la doctora Jeannette Poggioli de Scannone y su equipo elaboran el antídoto en la UCV. Desde allí se libra la batalla contra estos arácnidos que se encuentran en toda la geografía nacional. El único sitio dónde no se han hallado es en las nieves perpetuas del pico Bolívar. Venezuela es un país de escorpiones, y hay que hacerlo saber. Nada ganamos con la política del avestruz. En todo el territorio nacional se debería contar con el antídoto a la mano, y el entrenamiento médico para administrarlo a quien ha sufrido una picadura de escorpión.

¿Por qué no se adelanta una campaña de medicina preventiva sobre el tema, de manera de reducir el riesgo de mortalidad? Esa campaña debe comenzar por dirigirse a aquella mayoría de buena fe que ignora que se debe actuar de inmediato, que cada segundo que pase puede ser mortal.

*Bióloga Herbario, V.M. Ovalles (MYF), Facultad de Farmacia, Universidad Central de Venezuela.

06 febrero 2007

Comités de Defensa de la Revolución

Revista Económica Venezolana

Tan seguro se siente Hugo Chávez de su permanencia en el poder que desde que comenzó el año 2007 ha acelerado la implantación de su revolución Castro-comunista y una vez autorizada la Ley Habilitante, la cual que le permitirá a legislar sobre 11 áreas especificas, Chávez podrá apoderarse por completo del país. Entre estas se encuentra la Ley de los Consejos Comunales, los cuales al final se convertirán en los Comités de Defensa de la Revolución Bolivariana, en clara alusión a los Comités de Defensa de la Revolución (CDRs) contemplados en la Constitución Cubana, considerados como uno de los órganos más represivos de la historia cubana.

Los CDRs los creó Fidel Castro en Cuba, como respuesta al terrorismo contrarrevolucionario imperante en la isla en 1960. Entre sus objetivos fundamentales estaba la necesidad de vigilancia combativa y revolucionaria del pueblo, ante los actos de sabotaje, agresiones y delitos cometidos, por los elementos reaccionarios e imperialistas.

Pertenecer a un CDR era obligatorio, y al estar estructurados por cuadra o calle o edificio, su propósito principal era observar, vigilar, inspeccionar y controlar cada detalle de la vida de las personas que vivían dentro de esa área. Era de suma importancia para el régimen saber las actividades de cada uno de sus ciudadanos, principalmente si estos se expresaban mal del sistema o si eran políticamente activo.

Para evaluar el comportamiento y sumisión de cada cubano hacia el sistema, y poder detectar quienes son enemigos del gobierno, los CDRs instituyeron una serie de actividades, trabajos y tareas sin sentido con este propósito, y quien osara no asistir o tomar parte en estas actividades, podía ser declarada antisocial o contrarrevolucionaria; es decir, enemiga del régimen, lo que le podría traer como consecuencia el despido de su empleo o en muchos casos esa persona estaría marcada y sin derecho para nada que el gobierno pudiera otorgarle; posición en la cual todos en Cuba temen estar.

Los CDRs además organizan celebraciones políticas que surgieron a raíz del triunfo de Castro el 1ero de Enero de 1959. En estas fechas “patrias” no se programan apagones y el pueblo recibe raciones de ron, se cocina en público, y se le brinda música. Todos están obligados a asistir, bailar, cantar, tomar y celebrar las victorias y logros del sistema. Lo más aberrante de todo es que la comida tiene que ser donados por los miembros del CDRs, que diariamente no tienen que comer.

La formación empieza con los niños, en los CDRs infantiles, para dar atención política, ideológica y educar a las nuevas generaciones de cubanos, sobre los logros de la revolución cubana. Cuba cuenta con más de 133.000 CDRs y 8,2 MM de afiliados (cerca del 86% de la población mayor de 14 años), cuyo propósito principal defender la revolución contra el enemigo – el imperialismo Yanqui –. Para los cubanos la única salida de este régimen represivo es irse del país o esperar que el dictador muera; nadie piensa en rebelión armada debido muy bien montado sistema de represión.

La dictadura cubana se apoya en la hipocresía, el engaño, las mentiras y la doble moral, y el régimen bolivariano ha utilizado estas mismas artimaña para hacerle creer al pueblo venezolano que sólo Hugo Chávez puede sacarlos de la miseria en que hoy en día viven, hasta el punto que no se han percatado que cada día son más pobres. Se dice que varios alcaldes oficialistas han viajado a Cuba para estudiar la manera de implementar los CDRs en Venezuela.

Según el analista Carlos Blanco, “los Consejos Comunales no son estructuras de participación popular, sino estructuras de integración del chavismo, con dirigentes ya amarrados en el Partido Único; en los consejos no se dejará entrar a los oligarcas ni a sus representantes que, por supuesto, serán todos los que no concuerden con la verdad revelada por el Comandante.”

Reproducido con autorización del editor de Revonline.

05 febrero 2007

Si yo hubiera sabido...

Por Rev. Martín N. Añorga

Diario Las Américas

Si yo hubiera sabido antes del año 1959 que a partir de la década de los sesenta iba a vivir el resto de mi vida fuera de Cuba, hubiera aprovechado los años que Dios me dio de patria libre para hacer cosas que me he quedado añorando para siempre.

Hubiera conocido mi Isla desde el indómito paisaje oriental hasta la imponente provincia pinareña. Siempre quise recorrer la península de Guanahacabibes, con sus numerosas y pintorescas lagunas; caminar por las escasas calles del pueblo de Guane y llegar hasta el Cabo de San Antonio, desde el que me dicen se ven, en las noches oscuras, las clarinadas de lejanos países que reflejan sus luces en las aguas inquietas del mar; pero el tiempo, mal administrado, no me alcanzó para tales logros.

De Pinar del Río conocí el valle de Viñales y recorrí con amigos un par de cavernas que son como un techo de rocas que ampara el suave recorrido de los ríos. Los mogotes de Viñales los observé sin pensar que iba a ser esa la única vez. De saberlo me hubiera olvidado de la autoridad del tiempo y hubiera pasado horas, y días enteros, llenado mis ojos de la belleza cubana y atesorando en el corazón recuerdos que hoy día sofocarían la soledad de mi exilio. Hubiera yo, de saber que adversas circunstancias me transplantarían de mi suelo, conocido el paisaje pinareño palmo a palmo. Ya es tarde. Es imposible ya. Ese vacío en mis añoranzas todavía me duele, casi cinco décadas después.

La provincia de La Habana ha sido para mí la más familiar. Conozco todos sus pueblos. Estuve frente a la ceiba que se traga la corriente del río Ariguanabo, disfruté del murmullo del mar en Batabanó, donde se vendían las mejores esponjas del mundo y una tarde me di un salto a Isla de Pinos, para cumplir con mi gran deseo de ver los sitios que el Apóstol José Martí santificó con su sangre. Allí derramé una lágrima de respeto ante La Biblia que el joven abrazado de grilletes leía en sus escasos ratos de sosiego.

Pero ahora, en mis años de la vejez, daría cualquier cosa por un paseo por las aceras del malecón o por el viejo Paseo del Prado. De seguro que sería diferente: esta vez contaría las olas, adivinaría los fugaces paisajes que en el aire dibujan las espumas, me fijaría en los niños que juegan, los jóvenes que ríen y en los ancianos que meditan. Yo anduve muy de prisa por caminos que hoy recorrería lentamente; di por sentado que los paisajes estarían ahí, siempre al alcance de mi mirada; pero llegada la noche me doy cuenta de que me perdí el esplendor del día.

Yo pasé los años de mi niñez en la barriada de Luyanó. Aquellos escenarios del parque con sus floridos contornos, de los cines familiares a los que íbamos semanalmente los sábados por la tarde, el ruido quejumbroso de los viejos tranvías, los pregones de los vendedores ambulantes, me eran tan familiares que nunca reflexioné sobre ellos. Hoy día hubiera sido distinto. En aquellos tiempos di por sentado que yo era de Cuba y Cuba era de mí, como si fuéramos hermanos gemelos; pero de haber sabido que la desgracia habría de interponerse entre nosotros, ¡cómo hubiera inscrito con letras de oro, en lo profundo del corazón, aquellas experiencias que para siempre he perdido en el ámbito impreciso del tiempo!.

Soy matancero por nacimiento. Vine al mundo en una modesta casa de la barriada de Pueblo Nuevo, y aunque mis padres se trasladaron a La Habana cuando apenas yo contaba unos cinco años, sin dejar de ser habanero, siempre he dicho que soy matancero por decreto de Dios. De Matanzas recuerdo la inmensa playa de Varadero, las sobrecogedoras cuevas de Bellamar, la agresiva belleza del valle de Yumurí y el sereno Pan, del que siempre me intrigó su esplendorosa figura de mujer dormida. Pero estos recuerdos fueron el resultado de la curiosidad juvenil y de la prisa de la adolescencia. Si yo hubiera sabido lo que me esperaba, hubiera vestido para siempre mi alma con el maravilloso verde azul de las aguas cristalinas de Varadero; hubiera descendido al seno mismo del valle y hubiera tocado con mis manos las palmeras y hubiera grabado mis huellas en el húmedo suelo preñado de fragancias; pero anduve de prisa, con la inquietud irreflexiva de la juventud.

Algo que nunca hice fue visitar la ciénaga de Zapata, que en el mapa aparece como un pedazo de Las Villas; pero que para nosotros siempre ha sido un sueño de Matanzas hecho lodo, selva y misterio. Hubiera querido estar en los contornos ríspidos de la ciénaga; pero ya no. Me han dicho que el tirano Castro, con sus trastornados planes y su odio ecológico, ha hecho de Zapata una tierra muerta, rebelde, inhóspita, que con dignidad mambisa cierra su vientre a la vida.

Recuerdo los ríos matanceros, el extenuado Yumurí, el serpenteante San Juan y el inmenso Canímar; pero no más de verlos. Si hubiera sabido que mi destino era el de un exilio definitivo; hubiera recorrido los parajes secretos de estos ríos para encandilarme los ojos con sus aguas brillantes de sol; pero ya es tarde, y solo dispongo de fragmentados recuerdos que reprochan mi juvenil desdén por las cordiales bellezas dejadas atrás.

Cuba es una isla gigante, en la que se dan cita valles y montañas, ríos y playas, fauna y flora, para componer un escenario, al que se refirió el descubridor diciendo: “esta es la tierra más hermosa que ojos humanos hayan visto”. Si yo hubiera sabido que iba a tocarme más de la mitad de mi vida acá, hubiera sido un cubano distinto. ¡Hubiera absorbido la hermosura de mi tierra para llenarme de ella para siempre! Cuando medito sobre mi obligada ausencia de la patria martirizada, lamento que cuando pude hacerlo no trabé amistad con las maravillas de la inquieta provincia central, no me identifiqué con las vastas llanuras camagüeyanas y jamás llené mis venas de la fogosa energía de los paisajes orientales. Trato de justificarme diciéndome que no sabía lo que el futuro me deparaba; pero ese coloquio personal no mitiga en mucho el dolor del tiempo bueno que desperdicié cuando pude haber conocido a Cuba y me conformé con retazos de su belleza.

A veces miro documentales, hojeo publicaciones, examino fotografías, dibujos y obras de arte. A veces disfruto de la música de mis días mozos, oigo los programas de la increíble Tremenda Corte, y me deleito con ciertas presentaciones radiales y televisivas que tienen por objetivo mantener a Cuba viva en el alma casi muerta de muchos cubanos de mi edad. Todo esto me ayuda, me llena de un tibio sentimiento de cercanía a la patria lindísima de ayer; pero por mucho que aquí reciba de otros, mi frustración de haberme perdido lo mejor de Cuba en los tiempos mejores de mi vida, no me la cura nadie.

¡Ay, si yo hubiera sabido nunca hubiera malgastado mis horas de irrecuperable juventud! Muchos hablan de los daños del comunismo impuestos a nuestra tierra; pero cuando oigo a alguien decir que jamás le quitaron nada, que en su familia no hubo presos ni fusilados y se acomoda a esta sociedad fértil que nos ha acogido, se me crispan de ira los puños.

El comunismo nos ha quitado lo más grande que se le pueda quitar a un ser humano: la patria, el derecho a vivir en ella con libertad y el privilegio de disfrutarla plenamente. Mi consuelo es que el amanecer está de regreso y ya se oyen en lontananza los ritmos de la conquista. Cuando Cuba sea de nuevo libre, ya no podré yo recuperar mis oportunidades de conocerla plenamente; pero si Dios me lo permite haré lo que nunca hice: arrodillarme para besar la tierra húmeda y separar un espacio, breve; pero al sol, donde manos piadosas hagan descansar para siempre mis viejos huesos.

¿A dónde va esta señora?

Cuando la Democracia perece...








hasta la Justicia huye.

Caricatura de Eneko, tomada de: www.20minutos.es

01 febrero 2007

Réquiem por la Democracia

Por Liliana Fasciani M.

Señora Democracia:

En este aciago día quiero expresar mi pena por su partida. No he tenido el ánimo de asistir personalmente a su velorio. Me deprimen los rituales fúnebres. Especialmente cuando las exequias son para un difunto arrancado de la vida por fuerzas distintas de las que suele dominar la Providencia. Entonces duele mucho más la ausencia, tanto por el que, habiendo nacido para permanecer, se va indulgentemente, como por el desamparo en que nos deja.
Quizá es algo tarde para las revelaciones, pero ha de saber que, no obstante sus defectos y debilidades, más allá de la estimación y del valor que en el cuadro de honor de mis principios, Usted, buena señora, representa, más allá de las consideraciones prácticas y cotidianas, yo la he amado hasta la adoración.
Es verdad que nunca se lo había hecho saber de un modo tan directo. ¡Imagínese! Tanto he hablado –bien y no muy bien– de Usted durante años, y, justo ahora, cuando de su augusta presencia apenas va quedándonos la sombra, se me ocurre escribirle esta carta que quizá no ha de seguirla adonde se dirige.
Pero hay una razón que justifica el no haber pregonado antes esta pasión que sus atributos despiertan: hasta ahora, mi señora, no había sido necesario confesarle lo que siento por Usted. Ni siquiera cuando, en más de una ocasión, la vi trastabillar sobre sus tacones mientras intentaba avanzar, a duras penas, por senderos abruptos, entre baches, zancadillas y piedras; ni tampoco cuando, hará casi dos décadas, Usted se vio en un trance delicado que por poco le costó la vida.
Quizá mi inexperiencia fue un obstáculo para comprender a tiempo la magnitud del riesgo que, desde su llegada a este país, Usted corría. ¿Cómo saberlo? A lo sumo, alguno que otro indicio fue forjando lentamente cierto presentimiento. Pero, ¿quién puede permitirse la ligereza de atender al latido de una corazonada? Aunque sé de personas que toman decisiones según esté la noche de luna llena o de cuarto menguante, no es tal la guía que me orienta a la hora de asumir las circunstancias.
Influye, en cambio, el hecho irrefutable de haber nacido en la misma tierra que parió a Miranda, el Precursor, a Bolívar, el Libertador, y a los hombres y mujeres que han entregado sus vidas por tan noble ideal. Influye, sobre todo, que Usted me amamantó durante la niñez, que fueron sus brazos los que me cobijaron, que fue por sus bondades que aprendí, sin darme cuenta, a vivir en el goce de mis derechos y a asumir la responsabilidad de mis deberes. Influye, querida señora, haberme confiado enteramente a la firmeza que Usted aparentaba, al temple que su carácter irradiaba, a la tranquila expresión de sus maneras, a la seguridad que su comportamiento transmitía.
Era Usted, si no el más hermoso de los ídolos, de todos ellos, sí el mejor dotado. Descollante por sus cualidades, eran éstas tan útiles y gratificantes, que opacaban casi por completo sus flaquezas y sus imperfecciones naturales. Lástima, amable señora, que siendo Usted tan bella, tuviese los pies hechos de barro. Lástima que –para colmo – su magnífico trono estuviese asentado sobre un pedestal de yeso blando en una tierra aún árida para la semilla libertaria.
Por eso ayer, cuando a mitad de la jornada fue aprobada por unanimidad de la Asamblea Nacional y por ignorancia de unos cuantos ingenuos, la Ley Habilitante que otorga plenos poderes al Ciudadanísimo para que legisle sin necesidad de que los diputados le enmienden la plana, yo sentí cómo su alma empezaba a abandonar el malogrado cuerpo de mi pueblo. Porque legislar así, lo sabe Usted mejor que nadie, es gobernar sin límites, es gobernar mandando según la propia voluntad, en vez de gobernar obedeciendo la voluntad de todos, es gobernar sobre la servidumbre, en vez de gobernar sirviendo a los ciudadanos.
¡Qué pena con Usted, señora mía! Ante la fría y muda estatua del Libertador, unos y otros alzaron sus manos para jurar ¡Patria, Socialismo o Muerte! Y precisamente allí y en ese instante, ante un pueblo estremecido por emociones encontradas, Usted, noble señora, expiró. El sol del mediodía dejó caer un último rayo de luz sobre su rostro, ya ensombrecido por el hado funesto.
Y, ¿sabe qué, señora? Quienes propiciaron su deceso, asumieron ese juramento como un grito de carnaval. Disfrazados de revolucionarios, partieron en feliz comparsa hacia el más triste y desafortunado destino que predecirse pueda.
Al compás de canciones de protesta y eslóganes guerreros, la Patria es arrastrada al Socialismo, mientras Usted, en tan menguada hora, es entregada a los brazos de la Muerte.